Restauração Ecológica

RPPN Duas Cachoeiras e JBA levam ao mundo sua experiência de reflorestamento de Mata Atlântica

RPPN Duas Cachoeiras e Jardim Botânico Araribá apresentam em conferência internacional do Kew e do BGCI três décadas de reflorestamento de Mata Atlântica.

Apresentação será feita na conferência internacional “Reflorestamento para a biodiversidade, captura de carbono e meios de subsistência”, uma realização do Royal Botanic Gardens, Kew e o BGCI

Por Tânia Rabello

A RPPN Duas Cachoeiras e o Jardim Botânico Araribá (JBA) terão a oportunidade de, no dia 24 de fevereiro, às 11h35 de Brasília, apresentar ao mundo – literalmente ao mundo – os trabalhos que vêm desenvolvendo no Sítio Duas Cachoeiras (SDC), em Amparo (SP), relativos à restauração de floresta nativa da Mata Atlântica, um dos biomas mais ameaçados do Brasil.

Lá se vão mais de três décadas de experiência com reflorestamento e conservação de uma área de cerca de 30 hectares que, há dez anos, foi registrada como Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN).

Montagem com três paisagens de morros e mata nativa em reservas parceiras do projeto

Justamente todos esses conhecimentos acumulados – com erros, acertos, percalços e preciosas dicas – serão apresentados pelo educador ambiental Guaraci Diniz, que está à frente da RPPN Duas Cachoeiras e do JBA, na conferência on-line “Reflorestamento para a biodiversidade, captura de carbono e meios de subsistência”, a ser realizada entre 24 e 26 de fevereiro próximos.

A conferência é patrocinada pela Sky Zero e pela Fundação Franklinia e apoiada pelo Cifor-Icraf (World Agroforestry), além de co-patrocinada pelo Royal Botanic Gardens, Kew e Botanic Gardens Conservation International (BGCI) – este último, aliás, é parceiro do JBA em dois projetos de conservação de sete espécies de árvores nativas ameaçadas de extinção.

Guaraci conta que foi convidado pelo próprio Kew e BGCI e que o Príncipe Charles, ou Príncipe de Gales, abrirá a conferência. Segundo os promotores, são esperados mais de mil participantes de todo o mundo, reunindo legisladores, financiadores, cientistas, jardins botânicos e implementadores de reflorestamento em grande escala, incluindo governos, doadores, empresas de ONGs conservacionistas.

Logotipo do JBA, com árvore estilizada e o nome Jardim Botânico Araribá em branco sobre verde

Será para este público, conta Guaraci, que ele vai apresentar sua palestra, dentro da “Sessão 2”, sobre “Árvores certas no lugar certo – nativas versus exóticas”. “Após a palestra haverá um painel de discussão”, continua.

Ele vai contar, por exemplo, que ao contrário do que se se faz muito no Brasil – em termos de reflorestamento de mata atlântica nativa –, nem sempre é o ideal introduzir na mesma área, ao mesmo tempo, espécies arbóreas pioneiras, secundárias iniciais e tardias. “Usamos também, por exemplo, em algumas áreas degradadas de floresta estacional semidecídua, a restauração ecológica por meio de sistemas de nucleação e regeneração natural”, comenta o educador ambiental, sistema por meio do qual se aproveitam árvores isoladas ou um grupo de árvores para formar núcleos iniciais de plantas que proporcionam abrigo para a ave-fauna que promovem a dispersão de mais sementes na área a ser recomposta.

A “ajuda” na regeneração natural dada ao longo do processo foi a introdução de árvores fornecedoras de alimentos para animais silvestres, típicos daquela região, que, conforme a floresta se regenerava, começavam

Vista aérea da mata densa reflorestada na RPPN Duas Cachoeiras, em Amparo

naturalmente a aparecer na área. “Introduzimos também espécies pioneiras que rapidamente ofereceram sombra e abrigo para os animais.” A consequência, ao longo dos anos, foi o aumento da fauna na área e que, por sua vez, trazia naturalmente sementes de centenas de espécies de sub-bosque, contribuindo para a regeneração florestal.

“Observamos também ao longo de um curto espaço de tempo, entre três e cinco anos, a modificação das condições climáticas e o surgimento de novas fontes de água”, continua o educador ambiental. “Ainda foi possível notar e estudar a melhoria da estrutura física e o aumento de micronutrientes no solo.” Desta forma, Guaraci acredita que, por meio de observação e muita pesquisa, conseguiu introduzir “as árvores certas, no lugar e no momento certos”.

Quem quiser assistir à palestra de Guaraci Diniz e às várias outras do evento, basta acessar o link de inscrição e se inscrever.**Link oficial do Evento

Logotipos do BGCI, do evento Reforestation for biodiversity de 24 a 26 de fevereiro de 2021 e do Kew

Sobre o evento

https://www.kew.org/science/engage/get-involved/conferences/reforestation-biodiversity-carbon-capture-livelihoods

Programação geral

https://www.kew.org/science/engage/get-involved/conferences/reforestation-biodiversity-carbon-capture-livelihoods/day-1

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